A abordagem de três pessoas em Piracicaba, no interior paulista, virou alvo de uma denúncia de possível manipulação de imagem com finalidade eleitoral. A mãe de um adolescente de 17 anos detido na operação afirma que policiais militares obrigaram o filho e os outros dois suspeitos a vestir camisetas idênticas de apoio a Lula depois da abordagem. A acusação ainda precisa ser apurada.
As imagens dos três algemados com as camisetas foram divulgadas pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas. Segundo a mãe, o adolescente usava uma camiseta preta antes de ser detido. Ela também acusa os agentes de agressão.
No mesmo dia e na mesma comunidade, a deputada estadual Professora Bebel (PT) denunciou que policiais teriam intimidado mulheres que distribuíam material de campanha e exigido que elas retirassem camisetas com os dizeres “Professoras e professores da Apeoesp com Lula”. Bebel afirmou que levará o episódio à Ouvidoria da Polícia Militar.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que não compactua com desvios de conduta e que pune casos comprovados, mas disse não ter recebido registro das denúncias. Sobre a operação, afirmou que os três foram detidos após uma chamada ao 190 e que drogas e uma arma foram encontradas. A secretaria não esclareceu a acusação sobre a troca das roupas.
A apreensão ou prisão dos suspeitos e a origem das camisetas são questões distintas. Cabe à investigação verificar o que cada pessoa vestia antes da abordagem, quem forneceu as peças e como foram produzidas as imagens posteriormente usadas na divulgação política do caso.
As denúncias e as respostas da secretaria foram relatadas em reportagem de Mônica Bergamo, Karina Matias e Jullia Gouveia na Folha de S.Paulo.


