A análise genética de um caso extremamente raro indica que células de um tumor passaram de uma gêmea para a outra ainda durante a gestação. Amelia e Amaya nasceram prematuramente, apresentaram múltiplos tumores e morreram pouco depois. A investigação foi conduzida com autorização da família para ampliar o conhecimento sobre o que ocorreu.
Pesquisadores sequenciaram amostras de órgãos, placenta e tumores. As mutações permitiram reconstruir a sequência provável dos eventos: o câncer surgiu primeiro em uma das crianças e, mais tarde, células malignas alcançaram a irmã pela circulação compartilhada na placenta. A equipe identificou sarcomas de tecidos moles, tipo raro de câncer.
Os dados também sugeriram uma forma inesperada de separação do embrião que deu origem às gêmeas idênticas. Como se trata de um caso singular, a descoberta não permite generalizar que cânceres se espalhem entre gêmeos nem definir que todos os embriões se dividam do mesmo modo. Seu valor está em mostrar o que uma análise genética minuciosa pode revelar, sem perder de vista a tragédia vivida pela família.


