A ideia de que o autismo seria uma expressão extrema de características cognitivas mais frequentes em homens marcou décadas de pesquisa. Hoje, o próprio psicólogo Simon Baron-Cohen, que popularizou o rótulo “cérebro masculino extremo”, considera o nome inadequado, embora mantenha parte de sua hipótese sobre padrões de sistematização e leitura de situações sociais.
A discussão mudou à medida que mais meninas e mulheres passaram a receber diagnóstico. Pesquisadores questionam se modelos construídos a partir de perfis masculinos contribuíram para deixar de reconhecer outras apresentações do autismo. Baron-Cohen contesta que sua teoria exclua mulheres e aponta fatores como pressão social para mascarar características autistas.
O debate científico também se desloca para a possibilidade de múltiplos perfis dentro do espectro. Nenhum teste isolado de empatia ou raciocínio sistemático define uma pessoa autista. Para quem busca diagnóstico ou apoio, a conclusão prática é evitar estereótipos: sexo, gênero e uma habilidade específica não substituem avaliação individual, nem resumem a experiência das pessoas autistas.


