A dívida bruta do governo geral chegou a 82,5% do Produto Interno Bruto em julho de 2026, maior proporção registrada desde abril de 2021. Em valores, o endividamento alcançou aproximadamente R$ 10,9 trilhões.
O indicador considera as obrigações do governo federal, dos estados, dos municípios e do INSS. O resultado mantém a dívida em trajetória de alta e amplia a atenção do mercado para a capacidade do país de equilibrar receitas, despesas e custos financeiros.
No mesmo mês, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 1,4 bilhão. Esse cálculo reúne União, estados, municípios e empresas estatais, mas não inclui bancos públicos e Petrobras. O resultado primário considera receitas e despesas antes do pagamento dos juros.
A elevação da dívida também é influenciada pelo patamar dos juros, que aumenta o custo de financiamento e de renovação dos títulos públicos. Investidores passaram a exigir remunerações maiores nos papéis de longo prazo diante das incertezas sobre o ajuste fiscal nos próximos anos.
O governo apresentou ao Congresso uma proposta orçamentária com previsão de superávit efetivo de R$ 18,6 bilhões para 2027. Para analistas, a projeção sinaliza uma tentativa de estabilização, mas dependerá da arrecadação, do controle das despesas e das decisões que serão tomadas pela próxima gestão.
Especialistas afirmam que o volume atual não indica uma ruptura imediata na capacidade de pagamento do país. O principal risco está na continuidade do crescimento do endividamento sem uma sinalização consistente de resultados fiscais capazes de estabilizá-lo.


