A defesa de Flávio Bolsonaro pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que afaste Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito sobre a relação do senador com o advogado Willer Tomaz. Os advogados querem que o caso seja redistribuído a André Mendonça, ministro indicado ao STF pelo pai de Flávio, Jair Bolsonaro, e amigo de Michelle Bolsonaro.
A investigação apura a suspeita de que Flávio e Willer mantinham uma sociedade indireta para lavagem de dinheiro. A defesa questiona a imparcialidade de Moraes sob o argumento de que ele teria usado um avião ligado ao advogado e a Daniel Vorcaro. A alegação ainda precisa ser examinada pelo tribunal.
O vínculo de Mendonça com o núcleo familiar torna o pedido politicamente sensível. Antes de chegar ao Supremo, ele foi advogado-geral da União e ministro da Justiça no governo Jair Bolsonaro. Michelle teve influência em sua indicação e mantém uma amizade com ele. Ambos são evangélicos, mas pertencem a denominações diferentes: ela é batista, e ele, presbiteriano. Não há informação confirmada de amizade pessoal entre Mendonça e Flávio.
Os advogados também pedem a revogação das medidas cautelares impostas ao senador, entre elas as relacionadas aos passaportes e à proibição de contato com Willer. A troca de relator não é automática: cabe à presidência do STF avaliar o pedido. Os vínculos políticos e pessoais do ministro com a família não permitem antecipar sua decisão em um eventual julgamento.


