Uma festa em uma lancha no lago Paranoá, em Brasília, reuniu Flávio Bolsonaro e empresários interessados em vender vacinas contra a Covid-19 ao governo de seu pai em julho de 2020, segundo reportagem publicada pela revista piauí. A publicação relata que o encontro foi organizado por Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, ligados à Precisa Medicamentos, que buscavam intermediar o fornecimento da vacina indiana Covaxin.
De acordo com a apuração da revista, havia profissionais do sexo no evento e Flávio teria recebido um relógio Rolex de um dos empresários. Essas são alegações da reportagem, não conclusões de uma investigação judicial. Procurado pela Folha de S.Paulo sobre o caso, o senador e candidato à Presidência não havia comentado o relato até a publicação da notícia.
O ponto de interesse público vai além da vida privada dos participantes. Os anfitriões, conforme a reportagem, procuravam abrir caminho para um negócio com o governo federal em plena emergência sanitária. A eventual oferta de um presente de luxo a um senador exige esclarecimento sobre a relação dele com os empresários e sobre qualquer atuação em favor do contrato.
O encontro teria ocorrido num momento em que o país enfrentava mortes crescentes por Covid-19 e restrições para conter o contágio. Cabe distinguir o que foi relatado pela imprensa do que ainda precisa ser comprovado: a participação na festa e o suposto presente não demonstram, por si sós, que Flávio tenha interferido numa compra pública ou cometido crime. O candidato pode esclarecer se esteve na lancha, se recebeu o relógio e qual era sua relação com os representantes da Precisa.


