Contratos e comprovantes sobre despesas de “Dark Horse” nos Estados Unidos não serão entregues à Polícia Federal sem uma ordem da Justiça americana, segundo Michael Brian Davis, sócio da GoUp Entertainment. A posição do produtor foi registrada em um e-mail de 2 de setembro à sócia brasileira Karina Gama e incorporada à investigação sobre o financiamento do filme.
O longa retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A PF apura se recursos ligados ao Banco Master foram utilizados na produção e procura esclarecer a destinação dos valores movimentados no exterior.
Davis sustentou que pedidos de autoridades brasileiras envolvendo dados ou documentos sujeitos à jurisdição dos Estados Unidos precisam tramitar pelos canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional. A exigência foi apresentada pelo próprio produtor.
A GoUp já juntou ao inquérito centenas de notas fiscais de hospedagem de atores e integrantes da equipe, comprovantes de transferências bancárias e contratos com profissionais brasileiros. Entre os registros que não foram apresentados estão os contratos firmados com atores americanos.
Uma perícia privada entregue pela empresa em junho informou despesas de US$ 13,4 milhões nos Estados Unidos. O documento, porém, não detalhou a aplicação desse montante. A obtenção dos comprovantes permitiria confrontar os valores declarados com os pagamentos efetivamente realizados.
Entre as hipóteses investigadas pela PF está a de que parte do dinheiro associado ao projeto tenha custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Trata-se de uma suspeita ainda sob apuração.
O financiamento do filme também é examinado em procedimentos sobre possível uso de recursos públicos. Uma das frentes envolve um contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), destinado à instalação de pontos de Wi-Fi. Outra apura se emendas parlamentares encaminhadas à entidade chegaram à produtora por intermédio de outras empresas.
Em manifestação divulgada no sábado (12), Karina Gama negou o uso de emendas no filme e afirmou que os recursos eram privados. Disse ainda que não administrava o fundo responsável pelo financiamento nem recebeu dinheiro diretamente de Daniel Vorcaro, dono do Master.
A produtora também afirmou que cláusulas de confidencialidade impedem a divulgação de contratos à imprensa, mas que os registros podem ser fornecidos às autoridades mediante solicitação formal. Manifestação de Karina Gama.
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