A escolha de um fundo associado originalmente a um empreendimento imobiliário nos Estados Unidos tornou-se uma das questões levantadas pela Polícia Federal na investigação sobre o financiamento de Dark Horse. A corporação quer esclarecer por que o Havengate Development Fund LP foi utilizado para receber transferências relacionadas à produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
Na representação de 8 de julho de 2026, a PF retoma o histórico público de que o fundo foi criado em 2020 para captar investimentos destinados ao projeto Havengate Community, previsto para Melissa, no Texas. O empreendimento foi apresentado como uma operação de US$ 21,1 milhões vinculada ao programa de residência para investidores EB-5.
O documento descreve que o projeto não avançou e que o fundo permaneceu juridicamente ativo, embora sem atividade pública registrada por quase quatro anos. Esse histórico foi incorporado pelos investigadores a partir de informações publicadas anteriormente; não deve ser confundido com uma auditoria completa das contas ou com uma decisão judicial sobre a regularidade do fundo.

Para a PF, o ponto a esclarecer é a compatibilidade entre a finalidade atribuída ao veículo financeiro e sua utilização posterior no audiovisual. A representação registra uma primeira remessa de US$ 2 milhões em 13 de fevereiro de 2025, proveniente da Entre Investimentos, e relaciona outras operações ao financiamento do longa.
O advogado Paulo Calixto é citado na estrutura de administração do Havengate e por sua relação profissional com Eduardo Bolsonaro. Essa vinculação integra o contexto examinado pela polícia, mas não demonstra, por si, que recursos do filme tenham sido usados em despesas pessoais ou em outras finalidades.
Flávio Bolsonaro declarou que o fundo foi constituído para a operação do filme e que escolheu um advogado de confiança de seu irmão para acompanhar a estrutura. Também negou que Eduardo tenha sido beneficiário dos valores e sustenta a natureza privada do financiamento.
Os investigadores pediram documentos societários, contratos e registros financeiros para conferir a estrutura efetivamente utilizada. A mudança de atividade de um veículo de investimento não é, isoladamente, prova de crime. A investigação deverá demonstrar o percurso dos recursos e verificar se a finalidade declarada corresponde aos pagamentos realizados.


