O plano de negócios de Dark Horse previa arrecadação bruta de bilheteria entre US$ 45 milhões e US$ 100 milhões. As estimativas foram localizadas em arquivos extraídos do celular de Daniel Vorcaro e integram a análise da Polícia Federal sobre a justificativa econômica do financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
Segundo a representação de 8 de julho de 2026, o documento denominado Plano de Negócios Capitão do Povo V5 havia sido enviado por Thiago Miranda Silva. Capitão do Povo era o nome utilizado para o projeto antes de sua divulgação como Dark Horse.
O material apresentava três possibilidades de desempenho: US$ 45 milhões no cenário pessimista, US$ 70 milhões no conservador e US$ 100 milhões no otimista. São projeções formuladas para o projeto, e não receitas já obtidas, garantias de retorno ou resultados comprovados da exploração comercial.

A PF relaciona essas expectativas a um acordo que previa investimento total de US$ 24 milhões. Os investigadores consideram necessário verificar a viabilidade econômica da operação e a efetiva destinação dos recursos. O próprio documento ressalva, porém, que o valor previsto para a produção não caracteriza ilícito penal de forma isolada.
Também é preciso distinguir bilheteria bruta do dinheiro que pode retornar ao investidor. A representação apresenta estimativas de arrecadação e questiona sua plausibilidade, mas esses números não constituem uma prestação de contas do filme. Para medir o resultado financeiro, seria necessário examinar os contratos de exploração e os custos efetivamente suportados.
A investigação pede a reunião dos instrumentos de financiamento, aditivos, comprovantes e demais registros para confrontar o planejamento com a execução. O objetivo descrito é esclarecer quem aportou recursos, como eles circularam e quem recebeu os pagamentos, sem tomar a expectativa de sucesso comercial como prova autônoma de irregularidade.
Flávio Bolsonaro afirma que participou da captação de financiamento privado para o longa e nega ilegalidade. A produtora Karina Ferreira da Gama sustenta que não administrava o fundo responsável pelos recursos. O exame do plano de negócios integra uma apuração em andamento e não substitui a comprovação de eventual desvio ou de qualquer contrapartida ilícita.


