Notas de Vorcaro citam pedidos sobre PF e Banco Central; relatório não mostra respostas de Moraes

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Notas encontradas no celular de Daniel Vorcaro contêm pedidos para tentar conter ou adiar medidas da Polícia Federal e do Banco Central contra ele. O relatório policial associa registros ao contato identificado como Alexandre de Moraes a partir de vestígios digitais, mas não apresenta o conteúdo de respostas do ministro nem comprova que ele tenha atendido aos pedidos.

Em uma nota modificada em 30 de outubro de 2025, Vorcaro relata ter recebido informações informais sobre a pressão por medidas contra o banco. Na sequência, pede que sejam feitos contatos com pessoas identificadas como Andrei e Paulo para impedir iniciativas que considerava prejudiciais.

Os investigadores interpretam essas referências como possíveis menções ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A própria análise utiliza linguagem de hipótese para essa identificação. O texto escrito pelo banqueiro não demonstra que essas autoridades tenham recebido a solicitação ou concordado com ela.

Trecho da página 199 do relatório de 27 de agosto de 2026: a PF reproduz uma nota e explica sua interpretação das referências a Andrei e Paulo.
Trecho da página 199 do relatório de 27 de agosto de 2026: a PF reproduz uma nota e explica sua interpretação das referências a Andrei e Paulo.

Outras notas reproduzidas abordam a possibilidade de atrasar uma ação, a apresentação de soluções para o banco e anúncios de entrada de investidores. São registros de expectativas e pedidos atribuídos a Vorcaro em meio à crise do Master, não uma descrição confirmada de providências adotadas por agentes públicos.

Para relacionar as notas às conversas, a PF examinou horários de edição, capturas de tela, arquivos temporários e atividade no aplicativo de mensagens. Parte do material foi recuperada diretamente; outra parte foi associada por uma sequência de eventos próximos no tempo. Essa diferença interfere na força da conclusão sobre o envio de cada conteúdo.

A Procuradoria-Geral da República contestou a validade da apuração em manifestação de 1º de setembro. Paulo Gonet pediu a anulação da ordem e dos resultados, sustentando que houve iniciativa investigativa sem provocação adequada e desrespeito ao rito aplicável a ministros do STF. O pedido não equivale a uma decisão de anulação.

A PF afirma que analisou dados já obtidos e apresentou uma resposta não exaustiva à requisição judicial. Os documentos expõem o conteúdo das notas e a interpretação dos investigadores; permanecem sem demonstrar, por si, a existência de uma intervenção de Moraes, Gonet ou Andrei em favor de Vorcaro.

Consulte o documento público na íntegra.

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