A geleira Thwaites, na Antártida Ocidental, pode continuar recuando por cerca de 150 anos mesmo num cenário hipotético em que o derretimento provocado pelo oceano fosse interrompido imediatamente. O resultado de três simulações mostra que a massa de gelo responde com atraso a mudanças que já ocorreram no clima.
Pesquisadores do British Antarctic Survey desligaram, nos modelos, todo o derretimento causado pela água do mar — uma condição impossível de reproduzir na realidade. Ainda assim, a Thwaites continuou perdendo gelo, enquanto a vizinha Pine Island mostrou recuperação. Uma explicação investigada é que a geleira ainda esteja reagindo a perturbações iniciadas décadas atrás, somadas ao aquecimento recente.
O estudo não conclui que o colapso de toda a Antártida Ocidental seja inevitável. Tampouco torna inútil a redução de emissões: quanto maior o aquecimento futuro, mais rápido poderá ser o recuo. A pesquisa chama atenção para uma característica difícil de administrar da crise climática: mesmo depois de conter a causa, parte dos efeitos pode persistir por gerações.


