Uma porta escondida atrás de uma parede de madeira levou policiais federais a uma sala reservada em um hangar no Aeroporto Internacional de Brasília usado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro. A descoberta foi relatada pelo jornal O Estado de S. Paulo e ocorreu durante diligências da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas relacionadas a fraudes no INSS.
Segundo o relato sobre a investigação, a sala tinha estrutura para guardar valores, com prateleiras, malas vazias e uma máquina de contar cédulas. Os agentes não encontraram dinheiro no local. Após uma primeira inspeção no hangar, a PF recebeu uma denúncia anônima sobre o cômodo e retornou para examiná-lo. Os investigadores pretendem apurar quem utilizava o espaço e se houve retirada de valores antes da segunda vistoria.
Willer Tomaz rejeita a associação automática entre a estrutura e a prática de crime. Segundo sua defesa, o ambiente atendia operações de transporte de valores e clientes das empresas de aviação. Essa explicação deve ser considerada enquanto a perícia e a investigação prosseguem.
A proximidade do advogado com Flávio Bolsonaro dá relevância pública ao caso, mas não autoriza atribuir ao candidato o uso da sala. O senador disse anteriormente que sua relação com Willer é de amizade. A Polícia Federal encaminhou ao Supremo um pedido de apuração de suspeitas de lavagem de dinheiro que envolve o advogado e menciona Flávio; a campanha do candidato afirmou que, até então, não havia inquérito instaurado contra ele no STF.
A existência do cômodo, os equipamentos encontrados e a circulação de pessoas pelo hangar são fatos a esclarecer. A investigação terá de determinar a finalidade efetiva da sala, quem tinha acesso a ela e se há ligação comprovada com os delitos sob apuração.


